A descoberta da pólvora, a.k.a., “agenda-bala”

20160613_091112_1ªpág.(“Capítulo” anterior aqui; recursos úteis no final)

No espírito do “cultivar a arte do melhor possível em vez da arte impossível da perfeição”, continuo a partilhar com o mundo virtual, com quem quiser ler e acompanhar-me, dar-me palmadinhas nas costas ou apontar-me o indicador, as minhas lutas anti-procrastinadoras e anti-caos. Um dos “segredos” para o fazer é precisamente a adopção do sistema Bullet Journal em alternativa a uma agenda comum. Conquistou-me o facto de me dar total liberdade para escrever como e onde quiser, muito ou pouco, poder rabiscar e desenhar à vontade, poder usar um caderno qualquer, inclusive um feito por mim, e ser uma ferramenta analógica, portátil, independente da disponibilidade de electricidade ou de rede. Ou seja, tem tudo para dar certo, e se isto não funcionar, estou perdida. Por isso vai ter mesmo que funcionar, nem que sejam necessárias vinte ou trinta tentativas e erros. Esperemos que não chegue a tanto…

Mas antes de passar ao meu caso de estudo pessoal, o que é isso do Bullet Journal, “bujo” para os amigos, “agenda-bala” para a je, perguntam vocês?

20160613_091544_DailiesÉ a dádiva de Ryder Carroll para o mundo. O Bullet Journal é um sistema analógico de organização pessoal tão flexível que pode ser adaptado às necessidades e idiossincrasias de cada um, e que pode ser tudo o que quisermos: uma agenda diária/semanal/mensal/quando calha, um diário, um caderno de apontamentos e/ou desenho, uma lista de afazeres, e tudo e tudo e tudo. Já tenho demasiada informação no cérebro, já li demasiadas coisas sobre o funcionamento do sistema, para agora conseguir ser fiel e rigorosa ao que o autor desenvolveu, mas, no espírito do próprio Bullet Journal, explico os princípios básicos tal como funcionam para mim. Para conhecerem o original e mil e uma variantes, não faltam recursos na web.

Ora para mim, o segredo para a sua eficácia reside em dois elementos fundamentais: o conjunto de símbolos usados para as entradas, e o índice:

  • Símbolos) com a respectiva legenda logo no início do bujo para referência rápida, os símbolos podem ser só 3 ou 4, ou o dobro ou o triplo, quantos quiserem, mas falo por experiência própria que é bom não nos entusiasmarmos muito e definirmos uma catrefada deles, caso contrário perdemos o fio à meada, e passamos a vida a consultar a chave em vez de a usarmos instintivamente. De forma resumida, os símbolos são de dois tipos: uns, mais básicos, servem para identificar se uma entrada se refere a uma tarefa, a um evento ou a uma simples nota; os do segundo tipo são um complemento que ajuda a contextualizar, a dar mais significado, aos primeiros, daí o Ryder Carroll chamá-los de signifiers. Para dar um exemplo, um evento pode ser uma festa de aniversário ou uma reunião profissional. A utilização dum “signifier” permite identificar visualmente, de forma rápida, de qual se trata.
  • Índice) o termo é auto-explicativo, claro, mas no caso do bujo, o índice é construído à medida que se vai usando a agenda; assim, cada vez que se utiliza uma nova página, que se cria uma nova colecção ou secção (já chego lá), inclui-se no índice com indicação da página onde se encontra.

Com estes dois elementos apenas, mais alguns “detalhes” importantes sobre a migração de tarefas entre outros, o Ryder Carroll lançou as sementes que deram origem a um autêntico monstro. O sistema permite desde as versões mais básicas e minimalistas, caneta preta em papel branco, meia dúzia de símbolos e pronto, até ao cúmulo da complexidade, com versões que se aproximam mais duma instalação de arte contemporânea que de outra coisa qualquer.

Um dos elementos mais interessantes do sistema é a “colecção”: um conjunto de tópicos, ideias, apontamentos, com um tema em comum. Os livros lidos ou que se querem ler, filmes, prendas de aniversário, coisas que se quer aprender, blogs de eleição, artistas favoritos, viagens, ideias para um projecto, etc. O céu é o limite. Entre a comunidade de bullet journalists (ou bujoers), é especialmente acarinhado o “habit tracker”. Talvez possa ser considerado um tipo de colecção, mas a terminologia e a teoria agora não interessam nada… São páginas do bujo usadas como apoio à mudança ou à criação de novos hábitos, como os litros de água que se bebe por dia, a quantidade de exercício que se faz, a alimentação, e por aí fora. Uma variante é a utilização deste tipo de registo para ajudar a perceber a evolução de uma doença, física ou emocional ou o que for. Alguém que sofre de depressão, por exemplo, pode usar o bujo para registar como se sente e o efeito da medicação para perceber com o médico se há ajustes a fazer. Uma pessoa que tem alguma dificuldade digestiva, pode registar o que come diariamente e como se sente, para tentar despistar alguma alergia ou intolerância alimentar. Mais uma vez, o céu é o limite. O bujo pode ser tudo o que quisermos.

O Bullet Journal é uma espécie de caixa de Pandora: abre a porta à descoberta de uma série de outros “hábitos”, mais ou menos saudáveis dependendo da capacidade de auto-controle de cada um (ou da tendência para o comportamento obsessivo-compulsivo). Caligrafia, hand lettering, doodling… Eu sei lá. Por isso, o bujoing tem o condão de atrair uma fauna enorme composta pelos “maluquinhos” todos (e digo isto como um elogio, atenção, e sem ponta de ironia), do planeamento e da produtividade ao scrapbooking, design, escrita, artes plásticas, e por aí fora, tudo à volta de um único sistema. 20160613_091328_Rabiscos

Como disse (ou avisei!) no blogpost anterior, tudo isto contribuiu para o nascimento de um autêntico movimento em torno do Bullet Journal, com o aparecimento de blogs, grupos e comunidades em redes sociais, contas no Instagram e no Pinterest, canais no You Tube, negócios pequenos e grandes. E tudo isto contribuiu, por sua vez, para tornar a tarefa de adoptar o dito sistema um pouco assustadora. É fácil “fácinho” ficar intimidado perante a perfeição de alguns dos exemplares que andam por aí… Fica o convite e o desafio para que descubram por vocês mesmos, por vossa conta e risco, o maravilhoso mundo do Bullet Journal. Mas porque não quero que vos falte nada, ficam aqui alguns recursos para dar início à viagem. Por vossa conta e risco, repito!

Bullet Journal – O sistema original, the one and only, tal como foi criado pelo Ryder Carroll. Aqui encontram tudo o que precisam de saber para começar, explicado passo a passo de forma clara e apelativa, um blog escrito a várias mãos sobre o sistema e não só, e ainda podem ver e comprar a agenda bujo desenvolvida à medida do sistema (ou aliás, podem, quando estiver disponível novamente, porque entretanto esgotou…)

How to Bullet Journal: The Absolute Ultimate Guide por The Lazy Genius Collective – Um excelente ponto de partida, não só porque é muito pragmático e claro, mas também porque junta humor e compara a coisa a uma batata, o que para mim são sempre mais-valias. Além do mais, alguém com um nome como “Colectivo Génio Preguiçoso” merece a minha atenção, e merece certamente os seus 15 minutos de fama. Ou segundos… Bem, merece certamente as dezenas de caracteres que acabei de usar.

Bullet Journal Hacks and Tips that Actually Work – porque é fácil (muuuito fácil) uma pessoa dispersar-se e sentir-se assoberbada com a profusão de possibilidades de personalização e decoração e embelezamento do seu bujo, a Megan Rutell da Page Flutter reuniu uma série de dicas e truques úteis-mas-mesmo-úteis, i.e., que vão ajudar a tornar o bujo numa ferramenta prática e eficiente, e não apenas num objecto bonitinho. Gostei especialmente da chave e do índice desdobráveis, que permitem uma consulta rápida.

Ferramentas de produtividade para mentes inconformistas || ou como reorganizei a minha agenda – A Rita Domingues, do blog The Busy Woman and the Stripy Cat, também usa o Bullet Journal, integrado com outros sistemas e outras ferramentas de organização e planeamento. Para quem não sabe, este é o blog a seguir se se interessam por minimalismo e querem ler alguma coisa em português sobre o tema (outro, mais recente, é o Ana Go Slowly, que descobri há mesmo muito pouco tempo). Se há alguém que pensa ao detalhe e é muito criteriosa sobre o que decide incluir nas suas rotinas, é a Rita. Só para saberem que o Bullet Journal tem o selo de aprovação de quem sabe (disto muito mais que eu).

Ainda o Bullet Journal – para ninguém poder dizer que só partilho cenas em inglês, andei a fazer umas pesquisas, e a Marta d’ O Cantinho da Martita deu-se ao trabalho de traduzir o funcionamento do Bullet Journal, tal como aparece no site do original. Quem é amiga, quem é? A Marta, eu sei… Mas basta pesquisarem e encontram, a sério que encontram.

Boho Berry – a Kara Benz basicamente quer deixar-nos a todos na vergonha, e então tem um site lindo onde podem encontrar tudo e mais alguma coisa sobre Bullet Journaling e mais um par de botas, relacionado com organização e planeamento e produtividade, e aquelas coisas do “be all you can be”, mas com um arzinho de meter nojo de tão giro que é. Banners, setinhas, letras, tudo giro, e, para cúmulo dos cúmulos, parece ser uma rapariga descontraída e simpática. Tenho a esperança secreta que seja tudo tanga para não me sentir uma loooooser… (brincadeirinha… mais ou menos…) Além do website, podem encontrá-la no facebook, no Instagram, no Pinterest, e mais não sei onde.

Tiny Ray of Sunshine – o projecto da Kim Alvarez aborda mais ou menos os mesmos temas que o da Kara Benz, mas com o seu cunho pessoal, claro; tenho cá para mim que até devem ser amigas, mas não quero lançar boatos e também não me vou pôr a averiguar; de vez em quando colaboram e lançam uns desafios muito fixes a quem as segue para ajudar a melhorar a caligrafia, e a aprender a usar o bujo e a planear com ele sempre com muito estilo, banners perfeitinhos e setinhas engraçadas, citações inspiradoras, e essas coisas todas tipicamente femininas, dizem. Mas também tem recursos e dicas para pessoal mais minimalista e que queira manter o seu bujo o mais simples possível. Encontram-na também no facebook, no Instagram, no Pinterest e “mais não sei onde”.

Bullet Journal Junkies – este é um grupo no facebook onde os freaks do bujoing gostam de alimentar o seu vício e apoiar o dos outros, e sentirem-se menos freaks no processo; é onde encontram um ombro amigo que não os vai julgar por estarem obcecados com a caneta xpto, e encontram quem compreende a expectativa e o entusiasmo que sentem com a entrega do último caderno que compraram na Amazon. A propósito, eu estou lá no grupo, um pouco menos activa (ainda menos activa) do que já estive, mas eles não discriminam ninguém, e fiquei mesmo agradavelmente surpreendida pelo ambiente acolhedor que por lá existe, muito diferente do que normalmente impera no facebook, onde facilmente uma vírgula fora do lugar gera uma polémica de proporções épicas. Se procuram uma comunidade de pessoas disponíveis para ajudar e apoiar, este é o lugar. Vão lá, peçam para ser adicionados, estiquem as pernas e peguem no vosso cházinho, que não se vão arrepender. Espero…

Instagram – seria louca se me pusesse aqui a listar todas as contas que vale a pena seguir, porque eu própria não saberia sequer por onde começar; deixo apenas algumas hashtags para orientar o divaganço: #bulletjournal #bujo #bulletjournaljunkies #bulletjournaling #bulletjournalchallenge; e espreitem o @therevisionguide, já agora!

20160613_091744_CapaPS: As fotos são todas da minha primeira e actual (e por enquanto, única) agenda-bala, e foram tiradas hoje, o segundo dia em que consegui acordar cedinho para fazer 30 minutos de Pilates junto ao passeio ribeirinho aqui ao pé. Iupi! Palmadinha nas costas. Só para que conste. E desculpem o tamanho das fotos e o desfocado… Dá-me para partilhar muita coisa, mas não vamos abusar… A propósito de partilhar, a capa do caderno que estou a usar é da colecção Quatro Estações, e podem vê-la melhor aqui, aqui ou aqui. O caderno mais pequenino que (mal) aparece na segunda foto é da colecção Redes, que podem encontrar aqui, aqui ou acoli, em várias versões.

 

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3 thoughts on “A descoberta da pólvora, a.k.a., “agenda-bala”

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