Dentro do rectângulo | Fora da caixa – Air Design Studio

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Esta é a estreia da rubrica “Dentro do rectângulo | Fora da caixa”. O título é provisório até indicação em contrário, mas a ideia é simples: partilhar projectos portugueses que me inspiram de alguma forma. Podem ser artistas plásticos, escritores, bloggers, pessoal que se dedica ao minimalismo ou que me olha nos olhos e sorri quando dá o troco na caixa do supermercado. Pode ser tudo o que me apetecer porque… bem, porque me apetece, e às vezes apetece-me partilhar coisas que não têm nada a ver com nada, ou parecem não ter a não ser pelo facto de… me inspirarem (não é como se não tivesse já avisado do aparente caos que impera por aqui, mas há uma espécie de método para a loucura, a sério que há). Basicamente, é o que me der na telha e, como tenho que “arrumar” as ideias em algum lado e de alguma forma, esta é uma das “gavetas” que arranjei. Nesta rubrica, estão dentro deste rectângulo à beira mar plantado: é a versão tuga da “Quando fôr grande”. E pronto. Por enquanto é só isto que tenho para dizer em jeito de introdução. E sim, eu sei que já chega. Adiante.

Tropicalities

O problema é escolher por onde começar. Por defeito, costumo pesquisar e navegar online em inglês. Afinal de contas, este rectângulo ocupa uma ínfima parte da superfície terrestre do Planeta, e o inglês tornou-se a língua franca que nos permite chegar a praticamente todos os cantos desta bola. Também já estão cansados de saber que tenho tendência para divagar e para me dispersar… e para demorar a fazer escolhas e tomar decisões, que são praticamente a mesma coisa. Para estrear a rubrica, acabei por decidir falar do Air Design Studio. E como vão perceber, a escolha não foi assim tão complicada quanto parecia ao início. Air é o acrónimo de Ana Isabel Ramos. Devo dizer que não conheço a Ana pessoalmente, mas conheço-a “virtualmente” (já explico como!). A primeira vez que vi alguma coisa da Ana, aka Billy, foi quando a sua irmã, uma amizade recente, partilhou a página Airing from Buenos Aires, uma zine que me chamou logo a atenção pelo design original e apelativo que me obrigou a fazer clique. Foi uma porta que se abriu para o mundo visual da Billy. Não era só a zine. Era a pintura, a costura e os bordados (chamados “poções de relaxamento imediato”), que estimularam os meus sentidos e a minha curiosidade. As mantas de bebé bordadas são um encanto, uma autêntica delícia. As cores, as formas, o estilo pessoal e original, cada detalhe, fizeram com que não fosse apenas mais um projecto que tinha visto um dia e esquecido no dia seguinte: ficou-me na retina e comecei a acompanhar na medida do que o meu défice de atenção me permitia, claro. Até porque a Billy é uma contadora de histórias, o que torna ainda mais difícil resistir a espreitar.

Mantinha Abbrigate

 

Se não é óbvio o suficiente, passo a explicar o porquê de considerar a Ana e o(s) seu(s) projecto(s) uma inspiração. Como feminista assumida, sou toda pelo “girl power”e tenho uma tendência natural para seguir projectos da autoria de “companheiras de luta”. Também me despertou a curiosidade tratar-se duma portuguesa criativa… na Argentina. Desde as suas aventuras pela América latina, muito se passou e deixou de emitir de Buenos Aires para assentar arraiais em Lisboa: a página de facebook passou a chamar-se Airing from Lisbon e-zine, e os seus projectos continuaram a ganhar forma sob os ares da capital. Depois, o facto de se dedicar a várias actividades, a diferentes projectos, todos eles criativos, desde a ilustração (arte que adoro, aliás) aos ditos labores, como a costura, o bordado e o tricot, também me conquistou. Fez-me sentir um pouco menos sozinha por gostar de fazer tanta coisa diferente, e a Ana mostrava e mostra como se pode conjugar tudo duma forma elegante e que faz sentido. Talvez um dia chegue lá… E claro, outro motivo para me sentir cativada por tudo o que se passa no Air Design Studio, como não podia deixar de ser, são as fotografias que a Ana vai partilhando nos vários “locais” por onde passa, e que servem de ilustração às histórias que conta. E este é um motivo que nem é preciso explicar muito, certo?

Entretanto, quis esta coisa das redes sociais, que me viesse parar à frente a oportunidade de ganhar uma subscrição de um ano para o Clube de Bordado criado pela Ana. Eu, que nunca ganho nada (sendo que a frequência com que “jogo” em alguma coisa reduz significativaBordado_Maiomente as probabilidades de tal acontecer), fui a feliz contemplada. E foi assim que fui introduzida ao maravilhoso mundo do bordado. Mas não só. O Clube tem um grupo no facebook para as sócias (são só mulheres, que tenha dado conta…) poderem ir partilhando os seus avanços e recuos, e o tipo de ambiente que ali se gerou foi o de uma tertúlia, uma pequena comunidade unida pelo bordado mas com muitos outros fios a ligarem os vários elementos para além do mais imediato. Todos os meses é enviado um novo desafio criado pela Billy, um desenho da sua autoria, claro, maravilhoso como sempre, acompanhado de instruções detalhadas sobre os materiais, as cores, e os diferentes pontos utilizados, sempre com muita margem de manobra para darmos o nosso toque pessoal.

Todos estes ingredientes contribuíram e muito para me sentir inspirada e motivada para experimentar e aprender algo novo. Mais importante, a experiência ajudou-me a ganhar confiança para enfrentar as minhas inseguranças e finalmente me dedicar a sério, sem ou apesar dos meus medos, às coisas que gosto de fazer… e ao lançamento da Amarelo Torrado. Isto depois de muito tempo, demasiado, a adiar a concretização dum projecto com que andava a sonhar acordada desde não sei quando. A participação no Clube foi muito além da simples compra de um produto ou serviço: a relação que se criou entre todos os elementos do grupo é de apoio mútuo, e é difícil sairmos do processo sem nos sentirmos um pouco mais realizadas, orgulhosas, satisfeitas com nós próprias, por ultrapassarmos um desafio e termos nas mãos algo que fizemos nós mesmas. Aliás, a experiência permitiu-me comprovar de perto aquilo que intuia e também “sabia” teoricamente das leituras que vou fazendo sobre actividades manuais, normalmente consideradas menores, como o bordado, o tricot, o crochet ou até o origami, que é algo de que gosto mesmo muito. Os benefícios que têm a todos os níveis, e para qualquer pessoa, são imensos e variados, e muitos dos quais nem sequer suspeitamos. Mas isso pode ser assunto para outro post.

Em resumo, não posso recomendar o suficiente a visita ao Air Design Studio, através do site ou do facebook. Actualmente, acompanho sobretudo a sua conta no Instagram onde, além de partilhar as mimosices que vai fazendo em tricot para a sua filhota, a Billy também mostra os desenhos fantásticos traçados em passeio por cantos e recantos, em especial de Lisboa. São estes desenhos que muitas vezes servem de base para os projectos que cria para o Clube de Bordado, e é sempre interessante ver a transição do papel e da caneta para o tecido e a linha.

Entre outras ideias, como a criação de um e-course gratuito de bordado, a Ana juntou-se recentemente à Eliana Soares e juntas lançaram o podcast Anita no Trabalho, “um podcast sobre empreendedorismo no feminino ou, pensando bem, um ensaio sobre a omnipresença“. Anita no TrabalhoEu falo por mim, mas estou ansiosa para ouvir o próximo episódio, que aliás foi para o ar hoje. Vi os outros quatro de uma assentada… Podem encontrá-los todos juntinhos, bonitinhos, aqui. Num tom descontraído, estas são conversas que fazem companhia e nos fazem sentir menos sozinhas nesta coisa do “malabarismo” entre vida pessoal, vida familiar e vida profissional, sobretudo quando se torna difícil destrinçar as fronteiras entre as várias dimensões. Porque afinal de contas, somos tod@s seres multidimensionais. “Truques para respirar enquanto mantemos todas as bolas no ar”, e muito muito mais, é o que podem ouvir com a Anita, até porque o podcast ainda mal começou e promete.

Fica o convite para conhecerem o mundo Air, e espero que vos inspire como me inspirou a mim. Podem descobrir e manter-se a par de tudo o que a Billy anda a tramar e já tramou aqui, aqui e aqui. Para começo de viagem. Depois contem-me tudo!

Até à próxima inspiração, não deixem de (se) inspirar!

Ana

PS: Só para que fique esclarecido, a Ana não faz ideia do que tenho andado a tramar, por isso vai ser surpresa para ela, espero que boa, claro (desculpa, Billy!). A minha agenda-bala mandou, e aqui está a estreia da rubrica “Dentro do rectângulo | Fora da caixa”. Às quintas-feiras, de quinze em quinze dias, intercalada com inspirações fora do rectângulo com “Quando for grande“.

 

 

 

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3 thoughts on “Dentro do rectângulo | Fora da caixa – Air Design Studio

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